03/08/10

A guerra de Sledge e a guerra da leitura


Há livros que são tão bons que parecemos não querer que eles acabem, mastigando lentamente cada palavra e cada frase para não a deixar fugir antes de lhe tirarmos o que queremos. Há livros tão maus que por mais que nos esforcemos não dá para ler mais do que uma página por dia, e a leitura arrasta-se mais lentamente que o Marquês de Fronteira depois de uma bela feijoada. E depois há livros como o With the Old Breed, um livrinho de bolso com umas memórias de guerra interessantíssimas de Eugene Sledge, um ex-fuzileiro naval que esteve na «frente japonesa» da Segunda Guerra Mundial, destruíndo voluntariamente (foi voluntário) a sua saúde e a sua juventude nos traumáticos embates com o inimigo naquelas ilhas terríveis do Pacífico.

A leitura desta pequena pérola, que tenta dar os detalhes inocentes e em primeira mão - por oposição à conjugação dos vários esforços de guerra e à visão geral da guerra - daqueles Marines, nunca me foi penosa, nunca me fez arrepender nem ter vontade de pousar o livro. E, no entanto, continuo a lê-lo há mais de um mês, apesar de (hellas!) já ter passado de metade.

A pergunta fica: o que faz um livro decente demorar-se nas nossas mãos, custar a deglutir? Será a letra pequena (no caso deste), será o tema (que freudianamente posso estar a rejeitar por via inconsciente)? Não sei. Mas gostava de saber, a bem da boa leitura.

2 comentários:

  1. Cá para mim é do calor. Ou então és menino, sim, e, freudianamente, rejeitas o tema. Como um menino pequenino.

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  2. Não aprecio o tom bullying para com o autor do post. Será que tem que vir a Pastora com o seu cajado fálico, para pôr ordem nisto?

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